Juliana Trombetta, 25 anos, que no protesto segurava um cartaz dizendo que foi vítima de seqüestro e agressão, conta que saía da casa de uma colega, quando um carro parou ao lado dela, dois homens desceram e a empurraram para dentro. Apontavam-lhe facas, chegando a as encostar no seu abdômen. Pediram o dinheiro, a carteira, mas ela disse que não tinha, não carregava mais, depois de ser vítima de outro assalto dias antes. Ficaram brabos, agrediram-na, rodaram um tempo com ela e a deixaram em uma rua qualquer.
Os manifestantes que pediam segurança e "basta de violência", como todos nós vivem uma situação que resulta de um conjunto de fatores. O governo estadual anterior deu aumentos além da capacidade do Estado pagar, sacou dos depósitos judiciais, deixando uma enorme dívida para este ano, sem falar que usou dinheiro de empréstimos para pagar a folha. Aumentou a receita com pessoal em 60%, ao passo que a receita do Tesouro cresceu 40% no mesmo período. Outro fator encontramos em 30 anos de discurso de partidos à esquerda (de inspiração socialista), para quem o bandido é vítima da sociedade. Isso contaminou todos os três poderes, resultando em criminosos soltos, mesmo que a BM os prenda repetidas vezes em delito. Como terceiro fator, o fato de boa parte do povo ter acreditado no partido de ponta da esquerda brasileira, que governou Porto Alegre por longos - e tétricos - 16 anos. Pode-se especular que muitos naquele protesto fizeram a fortuna eleitoral deste partido - que possui integrantes da cúpula condenados e presos por corrupção. Afinal, as urnas do Menino Deus chegaram a dar 60% dos votos válidos nas eleições municipais aos estrelados.
Mas sempre há hora de acordar. E o gosto que o povo tomou por protestar, desde junho de 2013 (embora fossem protestos mobilizados pela extrema-esquerda, que deles perdeu o controle), sem dúvida conta para o ânimo na manifestação de ontem. Sem falar nas três manifestações gigantescas contra Dilma e o PT neste ano (março, abril e agosto). E há outra programada para hoje, sábado, 26/09/15, a partir das 11h00. Uma caminhada, para lembrar o assassinato do comerciante, e padeiro, Elvino Adamczuk, vítima de uma bala perdida em conflito da polícia com bandidos, na primeira semana deste chuvoso setembro de 2015.
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